sábado, 9 de abril de 2011


Três dias após o episódio que manchou de sangue a história da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, a instituição viveu 20 minutos de conforto neste sábado (9). Por volta das 15h, centenas de estudantes, familiares e pessoas que se solidarizaram com a tragédia deram um abraço simbólico na escola, em uma tentativa de amenizar a dor de quem sofreu com os reflexos do massacre que deixou 12 adolescentes mortos na última quinta-feira (7).

Maria Angélica Nogueira ajudou a organizar o ato de solidariedade e carinho às vítimas. Aluna da escola nos anos 1970, ela sente forte a dor de ver a sua escola como palco de uma chacina sem precedentes no país.

- A intenção é anular os efeitos desastrosos causados por uma única pessoa que cometeu esse absurdo. Quando soube do que aconteceu, não acreditei que tinham feito isso com a minha escola. É difícil acreditar. Vamos limpar a imagem da escola, que sempre foi referência na região e construiu o futuro de muita gente.

A estudante Fabiana de Souza, moradora de Bangu, bairro vizinho a Realengo, fez questão de tomar o primeiro ônibus e visitar os arredores da cena do crime. Emocionada, ela conversou com algumas pessoas que sofreram com a tragédia e transmitiu palavras de força.

- Vim para dar apoio, transmitir um pouco de esperança. Essas pessoas sofreram muito e precisam acreditar que há como se recuperar.

Após o abraço, a multidão dispersou rapidamente, mas voltou a se reunir uma hora depois. Em frente à entrada principal da escola, todos deram as mãos e entoaram canções religiosas e orações. A emoção acompanhada de lágrimas deu o tom do momento. A cantora Michelene Rocha nunca irá esquecer os minutos que a fizeram arrepiar.

- Eu vim aqui para dar apoio. Pedi para cantar e transmitir uma mensagem de paz. É o mínimo que podemos fazer.

Entenda o caso

Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos (a polícia chegou a divulgar que ele tinha 24 anos, mas a idade foi corrigida posteriormente), ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Conheça as vítimas do ataque à escola Tasso da Silveira

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu uma sala de aula no primeiro andar e outra no segundo, e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, sendo três em estado grave, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.

Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.

Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.

Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Onze estudantes foram enterrados na sexta-feira (8) e uma foi cremada na manhã de sábado (9).

O corpo do atirador permanece no IML. Ele ficará no local por até 15 dias aguardando reconhecimento por parte de um familiar e liberação para enterro. Caso isso não ocorra, o homem de 23 anos pode ser enterrado como indigente.

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