CONFIRA A MENSAGEM DEIXADA PELO BISPO DOM LUIZ GONZAGA FÉCHIO. Confira na íntegra a mensagem lida pelo Bispo Auxiliar de Belo Horizonte, Dom Luiz Gonzaga Féchio.
PELA GRAÇA DE DEUS, a nossa mãe Igreja, na pessoa do Santo Padre, o Papa Bento XVI, chamou-me ao serviço pastoral para o Reino de Deus, na condição de bispo.
Faço questão de enfatizar as palavras “pela graça de Deus” porque as escolhi para orientarem-me neste ministério que me foi solicitado. Desejo, porém, expressar que o motivo desta escolha é a minha consciência segura de que jamais poderia ter respondido o meu “sim” sem pensar o quanto, verdadeiramente, precisarei da graça divina para exercer bem esta missão.
Não somos nada, senão pela bondade, pela misericórdia, pelo amor, pelo poder, enfim, pela graça de nosso Bom Deus. Para cada uma dessas palavras e tantas outras que poderíamos citar e outras que talvez nem conseguiríamos, para destacar as qualidades de Deus, quero colocar todas nesta palavra “graça”, pois, quanto maior a responsabilidade, mais ela se faz necessária.
Não fui chamado pelo Senhor, primeiramente, para ser um bispo, e, sim, um presbítero, um sacerdote consagrado, um padre. Na verdade, antes de tudo, fui chamado a ser um cristão.
Como a minha mãe bem disse, na minha presença e na de meu pai, na terça-feira, 18 de janeiro, um dia antes da publicação da minha nomeação, quando eu antecipei a notícia somente para eles, para que não se assustassem no dia seguinte, enquanto tomávamos o café da manhã: “Filho, no dia do nosso casamento – isso aconteceu há quase 51 anos – nós pedimos a Deus a graça de um filho padre, mas não bispo”, querendo dizer que já era suficiente a primeira situação. Isso me faz reforçar ainda mais a expressão que escolhi como um “farol”, uma “bússola” para o meu novo ministério: “pela graça de Deus”.
Muitas pessoas já sabem que a consagração decisiva acontece logo no momento da primeira ordenação, a diaconal. Neste terceiro grau do sacramento da ordem – para mim, recebido na tarde do 2º domingo da Páscoa de 1990, dia 22 de abril, com 24 anos, nesta mesma igreja – o candidato deve assumir o ministério do diaconato consciente que está sendo chamado a ser um grande servidor.
Passado um tempo de pouco mais de 20 anos, assumo o episcopado, tendo em meu coração a certeza de que só posso fazê-lo na graça de Deus, para que a motivação que me levou a afirmar aquele primeiro “sim” decisivo seja a mesma que digo agora, sem perder o espírito servidor. Estou certo de que é para esta permanente diaconia que o Espírito Santo me consagra, agora como bispo, sucessor dos apóstolos.
Pelo pouco que conhecemos da vida dos apóstolos, mas, considerando Aquele que os chamou e, consequentemente, o motivo pelo qual os chamou, penso como é grande a missão de suceder aqueles primeiros consagrados pelo Senhor Jesus e ungidos pelo Espírito Santo. A doação ao Reino de Deus exigiu-lhes, naquelas circunstâncias, ainda, às vezes, atuais, a doação da própria vida, na radicalidade do martírio.
Para que eu exerça este serviço episcopal que a Igreja me pede, só posso contar, ciente da minha fraqueza, com a graça de Deus e o auxílio da própria Igreja, principalmente nas orações de todos, em especial das pessoas que conviveram comigo ao longo do meu diaconato e presbiterato.
O Concílio Vaticano II, que provocou e continua provocando a Igreja a exercer a sua missão pelo Reino de Deus como um povo cada vez mais sacerdotal, profético e real com os ministros consagrados, afirma que o bispo tem o tríplice ministério da Palavra, dos sacramentos e do pastoreio.
Peço, pois, à Igreja, particularmente a que está presente na diocese de São Carlos e à comunidade arquidiocesana de Belo Horizonte, que orem sempre por mim. Cada irmão e irmã em Jesus Cristo, membro destas duas Igrejas Particulares, como uma pessoa consagrada ou como uma pessoa leiga comprometida em procurar viver melhor a fé, numa doação de cada dia para que o Reino chegue à vida da ovelhinha desamparada, perdida, desprezada e tão amada por Jesus, ore ao Senhor, a fim de que, anunciando, celebrando e pastoreando, eu procure agradá-Lo sempre mais.
A graça que recebi nesta celebração não é um ponto de chegada. Todos sabem que é um novo início. A graça não é para mim. Ou, se posso dizer que é para mim, não é para que eu a guarde comigo, e sim, pela graça deste ministério, o Senhor me use para distribuir muitas graças a quem Dele precisar, através de minha pessoa, principalmente ao pequeno. Como disse Santa Teresa D’Ávila, “ser grande é amar os pequenos”.
A você, meu irmão e minha irmã, a você da minha família de origem, do meu tempo de formação escolar e cristã, na infância e na adolescência, do meu tempo de seminário e do tempo de ministério presbiteral, irmão ou irmã consagrados, irmão ou irmã no batismo, que me ajudou de alguma forma ao longo de minha vida, a você que me formou, em qualquer pequeno detalhe, que nem eu sei dizer, mas que Deus conhece, a você que, especificamente nesta celebração e na preparação dela e desde o dia 19 de janeiro tem me ajudado tanto, a você que me quer muito bem e que eu quero também, e que Deus ama com um amor perfeito, meu muito obrigado pela sua presença em minha vida, ontem, hoje e amanhã!
Meu afetuoso agradecimento a Dom Bruno Gamberini, arcebispo metropolitano de Campinas e meu conterrâneo, e a Dom Paulo Sergio Machado, nosso bispo diocesano, meus ordenantes, e aos senhores bispos que, vindo de perto e de longe, nos deram o prazer dessa presença que me acolhe no colégio dos apóstolos.
Uma particular gratidão a Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, na pessoa de quem agradeço a presença de todos, consagrados e leigos tão atuantes da Arquidiocese, bem como das autoridades. Pelo terno acolhimento e atuação tão dedicada do senhor, do bispo auxiliar, Dom Mol, dos padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, não posso deixar de dizer que deslumbro, verdadeiramente, uma “Igreja Viva e Sempre em Missão”, ao longo desses 90 anos de existência da Arquidiocese, e, ao mesmo tempo, vislumbro um “belo horizonte” no início deste meu ministério, evidentemente, com muito trabalho!
Ao finalizar, faço dois pedidos: a vocês e a Deus. A você, meu irmão, minha irmã, confirmo o que disse a todos que me cumprimentaram, desde o dia 19 de janeiro, pessoalmente, ao telefone e pela internet: ore para que eu seja um pastor segundo o coração do Bom Pastor e que Nossa Senhora – que eu lembro hoje com o título de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais – me carregue em Seu colo. Como não poderia deixar de lembrar, peço que rezem ao humilde e glorioso São José, ao mesmo tempo servidor e patrono da Igreja, que me ajude a zelar por ela. O meu outro pedido é ao nosso Bom Deus: que por essas minhas simples mãos, mas consagradas, e, mais ainda, pelo meu coração, de pecador, mas também de quem deseja ter um carinho de pastor, Ele abençoe você, meu caro irmão, minha querida irmã, tão amado e amada por Ele!
Um filósofo grego, chamado Antístenes, que viveu no séc. III a.C., afirmou: “A gratidão é a memória do coração”. Com todo o meu coração, muito obrigado!
Que Deus o Abençõe sempre em sia caminhada.
ResponderExcluirO seu discurso final foimuito bom mesmo, como sempre. Parabéns, Dom Féchio! Que a graça de Deus sempre o acopanhe.